Thiago da Costa Oliveira

A Presença Invisível do Lago – Altamira, Pará | Documentação Fotográfica

2015 (em andamento)

A Presença Invisível do Lago – Altamira, Pará

documentação em parceria com Carlos Fausto.

Câmera: Sony Alpha 7s

Lente: Canon FD 28mm | f 2.8

 

De agosto a outubro, durante a estação seca, o rio Xingu baixa vários metros, deixando expostos pedrais, corredeiras e praias. Sua vazão no município de Altamira (PA) passa de cerca de 20 mil m3/s – marca auge da estação chuvosa – para 1 mil m3/s. Neste período, conhecido localmente como “verão”, a cidade ganha contornos de um balneário. Barcos, balsas e botes de alumínio com potentes motores de popa cortam o rio, sobretudo nos finais de semana, levando moradores e turistas para praias com nomes como “do Amor”, “do Pedral” ou “do Porto Asuriní” – toponímia que evoca o processo de ocupação da região marcado por embates entre índios e seringueiros a partir de meados do século XIX. Altamira localiza-se a uns 40 km acima da chamada “Volta Grande do Xingu”, área escolhida pelo Consórcio Norte Energia (CNE) para implantação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHBM).

A obra teve início em 2011, e atualmente aguarda a Licença de Operação. Para gerar energia, Belo Monte prevê o alagamento de 130 km2 do entorno da Volta Grande. Em decorrência disto, em uma extensão de 100 km acima da barragem principal, o rio Xingu não retornará jamais ao nível do verão. Assim, a partir do enchimento do reservatório, o nível do rio a jusante e a montante de Altamira será o de um permanente “inverno” – termo que designa a estação chuvosa na Amazônia.

As fotografias deste ensaio propõem uma narrativa visual sobre o processo de reconfiguração socioespacial vivido nesta cidade amazônica. As imagens dão visibilidade às transformações a partir de um ponto de vista local, expresso nas formas de se morar e de se inscrever o tempo biográfico e familiar na paisagem.

© Carlos Fausto / Thiago Oliveira / Larme, Laboratório de Antropologia da Arte, Ritual e Memória.